O que causou o fracasso do futebol chinês? Entenda

De uma liga rica sendo o destino de grandes craques à uma competição com cada vez menos craques e investimentos.

Por Victor Hugo Motta

O projeto da China se iniciou em 2016 com o objetivo de sediar e vencer uma Copa do Mundo até 2050. Com investimentos pesados em infraestrutura e com a contratação de estrelas do futebol mundial para dar visibilidade e competitividade à liga, assim como vemos em prática hoje na Arábia Saudita

Os brasileiros Hulk (esquerda), atualmente no Atlético-MG e Oscar (direita), ainda no futebol Chinês. (Foto: Divulgação / Chinese Super League) 

Em sete anos tudo isso mudou e o projeto foi buraco abaixo, investimentos diminuíram e clubes expressivos para o futebol chinês foram rebaixados ou faliram. A liga que já teve gastos de quase 400 milhões euros em uma única janela transferência, hoje não consegue garantir a manutenção de suas principais equipes.

O tradicional clube chinês, Guangzhou Evergrande, após vencer oito títulos seguidos de 2011 à 2019 e ser vice em 2020, foi rebaixado para à segunda divisão em 2022 e ainda não voltou para a elite do futebol chinês. O clube que já contou com grandes jogadores como os brasileiros Paulinho, Elkeson e Anderson Talisca hoje não possui nenhum jogador de alto calibre em seu elenco.

Outro exemplo é o Jiangsu Suning, que após ser campeão da liga pela primeira vez na sua história no ano de 2020, fechou as portas dois meses depois, o que escancarou o problema no futebol chinês.

O Jiangsu Suning encerrou suas atividades em fevereiro de 2021. (Foto: AFP)

Outros motivos explicam o fracasso do futebol na China, entre eles a pandemia da covid-19 que agravou os problemas financeiros que as grandes empresas ligadas aos clubes chineses estavam passando. Devido às más condições financeiras e a demora para o retorno do investimento as empresas decidiram que não valeria mais a pena investir no futebol. 

Algumas questões também levaram à essa decisão, como o governo acreditava que desenvolver talento seria a melhor forma de promover a liga local, impôs uma multa de 100% para contratações acima de 8 milhões de euros, o valor seria repassado para investir no desenvolvimento das 50 mil escolas de futebol previstas no projeto inicial. A decisão de impor essa multa esfriou as contratações que em sua maioria custavam bem mais que isso, causando um ritmo de desenvolvimento mais lento do que o esperado do futebol no país.

Em entrevista ao Flow Sport Club, o ex-jogador Luís Fabiano falou sobre a diferença de qualidade entre os jogadores chineses e estrangeiros.

A China é marcada por ter melhores desempenhos em esportes individuais, o que prejudica o futebol a crescer e se desenvolver mais rapidamente no país. A seleção chinesa falhou nas duas chances que teve de ir a copa após o projeto se iniciar e hoje se encontra na posição de número 80 no ranking da FIFA, abaixo de países como Omã, Uzbequistão e El Salvador.

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