Por que o êxodo de jogadores para o mundo Árabe vem crescendo cada vez mais? Entenda
O número de grandes estrelas do futebol como o atual Bola de Ouro Benzema e o craque brasileiro Neymar vem aumentando em países como Arábia Saudita e Catar.
Por Victor Hugo Motta
Na penúltima janela de transferências o futebol no mundo árabe que já era conhecido por gastar rios de dinheiro em transferências recebeu o grande craque Cristiano Ronaldo que abriu as portas para outros grandes jogadores.
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| Cristiano Ronaldo sendo apresentado pelo Al-Nassr, ao lado do treinador francês Rudi Garcia e do presidente do clube, Musalli Al-Muammar (Foto: Divulgação/Al Nassr FC) |
Na janela que fechou na última quinta-feira (7), foi gasto o total de 875,4 milhões de dólares (R$ 4,3 bilhões, aproximadamente) em atletas. Entre os contratados estão estrelas conhecidas no futebol mundial.
Estas são as principais transferências da janela:
- Neymar – 90 milhões de euros – PSG para Al-Hilal
- Malcom – 60 milhões de euros – Zenit para Al-Hilal
- Rúben Neves – 55 milhões de euros – Wolverhampton para Al-Hilal
- Aleksandar Mitrovic – 52,6 milhões de euros – Fulham para Al-Hilal
- Sergej Milinkovic-Savic – 40 milhões de euros – Lazio para Al-Hilal
- Kalidou Koulibaly – 23 milhões de euros – Chelsea para Al-Hilal
- Bono - 21 milhões de euros - Sevilla para Al-Hilal
- Otávio – 60 milhões de euros – Porto para Al-Nassr
- Sadio Mané - 30 milhões de euros - Bayern de Munique para Al-Nassr
- Seko Fofana – 25 milhões de euros – Lens para Al-Nassr
- Aymeric Laporte - 27,5 milhões de euros - Manchester City para Al-Nassr
- Marcelo Brozovic – 18 milhões de euros – Internazionale para Al-Nassr
- Fabinho – 46 milhões de euros – Liverpool para Al-Ittihad
- Jota – 29,1 milhões de euros – Celtic para Al-Ittihad
- Karim Benzema – custo zero – Real Madrid para Al-Ittihad
- N'Golo Kanté – custo zero – Chelsea para Al-Ittihad
- Gabri Veiga - 40 milhões de euros - Celta de Vigo para Al-Ahli
- Riyhad Mahrez – 35 milhões de euros – Manchester City para Al-Ahli
- Roger Ibañez – 30 milhões de euros – Roma para Al-Ahli
- Allan Saint-Maximin – 27 milhões de euros – Newcastle para Al-Ahli
- Edouard Mendy – 18,5 milhões de euros – Chelsea para Al-Ahli
- Franck Kessié – 12,5 milhões de euros – Barcelona para Al-Ahli
- Roberto Firmino – custo zero – Liverpool para Al-Ahli
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| Neymar é apresentado pelo Al-Hilal no Estádio Rei Fahd (Foto: Reuters) |
Mas por que só quatro clubes aparecem nas contratações de grandes craques?
O governo saudita decidiu neste ano ser mais extremo quanto ao investimento em sua liga de futebol e escolheu quatro dos maiores clubes do país para investir pesado: Al-Ahli, Al-Hilal, Al-Nassr e o Al-Ittihad. Sendo o governo dono de 75% de cada um desses clubes.
A ideia é usar o dinheiro para seduzir grandes craques com altos salários e ter o poder de compra no nível dos grandes europeus.
A Arábia tem objetivo de limpar sua imagem de um país preconceituoso e anti minorias, utilizando o modelo que já deu certo com o Catar ao conseguir sediar a copa de 2022.
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| Seleção do Catar que disputou a Copa de 2022 (Foto: Fifa) |
Esse termo vindo do inglês nada mais é que uma estratégia de marketing que utiliza esportes para melhorar reputações desgastadas por ações erradas.
A Arábia Saudita está colocando em prática o que o Catar vem fazendo há anos: seduzindo jogadores para jogar em seu país.
Estratégia que ainda é praticada, já que na última semana recebeu em suas terras o astro brasileiro Phillipe Coutinho e o craque italiano Marco Verratti.
O Catar foi mais além do que só contratar jogadores ao adquirir o PSG em 2011, que na época não figurava entre os grandes da Europa e se tornou um gigante, com injeção financeira e contratação de grandes jogadores.
O que está sendo replicado pela Arábia Saudita ao adquirir recentemente o Newcastle United da Inglaterra.
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| Torcedores do Newcastle comemoram em frente ao seu estádio a aquisição do clube (Foto: Reuters/ Lee Smith) |
De onde vem o dinheiro?
A Arábia Saudita é uma das grandes economias do mundo e ocupa atualmente a 17ª posição, com sua fortuna vindo diretamente da extração do petróleo com um forte controle governamental sobre as principais atividades econômicas.
Atualmente o governo investe em outras áreas como o esporte - com o projeto "Saudi Vision 2030" - para não só limpar sua imagem mas também diversificar a origem do dinheiro em seu país.
A popularização do futebol árabe no âmbito local e mundial
A liga saudita vem crescendo nos últimos anos com seu público aumentando nos estádios. O povo saudita cada vez mais enxerga como atrativa a liga que se profissionalizou em 2007, com investimento e times fortes a tendência é que se torne atrativa não só para o público local, mas para o resto do mundo também, processo esse que já se iniciou no Brasil com a Band e o Canal GOAT adquirindo os direitos de transmissão da Saudi Pro League.
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| Mitrovic comemora o gol do Al-Hilal na vitória de 4 a 3 contra o Al-Ittihad (Foto: Divulgação / Al-Hilal) |
Por já terem participado do Mundial de Clubes FIFA, clubes como Al-Nassr, Al-Ittihad e Al-Hilal são velhos conhecidos dos torcedores brasileiros, sendo o Al-Hilal com a maior e mais recente participação, aparecendo três vezes nas últimas quatro edições, sendo vice para o gigante Real Madrid na última edição.
Há ainda a especulação do aumento do limite de jogadores estrangeiros permitidos nos clubes da Arábia Saudita, então podemos esperar clubes do mundo árabe dominando o futebol no futuro com mais craques e mais investimentos.





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